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O batuque da discórdia

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Maria Luisa de Melo As denúncias de casos de intolerância religiosa no estado do Rio cresceram 70% de janeiro a novembro de 2010, em comparação com todo o ano passado. Enquanto em 2009 a procura por ajuda na Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) foi de 70 pessoas, este ano, o número de vítimas atendidas chegou a 119. Na opinião do interlocutor do grupo, Ivanir dos Santos, há muito o que avançar para garantir a convivência harmoniosa entre fluminenses adeptos de religiões distintas. – Os que mais têm agredido a liberdade religiosa são os neopetencostais, os evangélicos – acusou o líder. – Hoje, os mais perseguidos são aqueles que se declaram adeptos de religiões de matrizes africanas, como os candomblecistas e umbandistas. O empresário e adepto do candomblé, Flávio Duncan, 31 anos, foi uma das vítimas que entraram para as estatísticas. Depois de acender uma vela em Adeptos do candomblé e da umbanda são alvo de intolerância religiosa no Rio: 119 vítimas este ano uma rua do município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ele foi perseguido e ameaçado por um fiel da Igreja Universal do Reino de Deus. – O homem foi me seguindo, gritando que eu estava endemoniado e me filmando, dizendo que usaria as imagens na igreja – contou a vítima. – No candomblé, há uma necessidade muito grande de ter contato com a natureza, de deixar nossas oferendas perto das plantas, mas muita gente não entende isso. Acham que trata-se apenas de lixo. Procurado para dar declarações sobre o caso, um dos pastores do Templo Maior da Igreja Universal, em Del Castilho, que identificou-se apenas como Augusto, alegou que não há nenhum apoio da igreja a atos de desrespeito. O episódio, segundo o pastor, trata-se de um caso isolado. Para o coordenador do setor de Intolerância Religiosa da Superintendência dos Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, Adaílton Moreira, muita gente não sabe que a liberdade religiosa é um direito assegurado pela Constituição Federal: – A maior parte das pessoas não conhece seus direitos. Discriminação religiosa é crime e a pena pode chegar a até cinco anos de prisão pela Lei Caó.
 

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