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Em nome de Deus e do Diabo

Marlon Marcos* - Jornalista e antropólogo

deus-e-o-diaboParece que a barreira que impede a convivência tolerável entre evangélicos e adeptos das religiões de matriz africana na Bahia, e em muitos outros lugares do Brasil, tornou-se intransponível. Lamentável saber que nós, religiosos ou não, precisamos ocupar espaços sabotando a presença legítima do outro; precisamos construir discursos e ações que fomentem a idéia de que um tem a verdade e o outro deve ser banido por carregar consigo a mentira e a ilegitimidade no universo das religiões.

Esta ambiência intolerante é que tem conduzido o encontro social entre os evangélicos pentecostais e os religiosos de matriz africana no nosso estado; é inadmissível o tipo de proselitismo cristão que promove ataques aos praticantes do candomblé, desenhando o culto aos orixás como uma obra erguida a serviço de Satanás. Satanás este, fruto cultural judaico-cristão, oriundo de mentalidades persas, que foi levado para a África (e chegou ao Brasil) por portugueses católicos sendo incrustado ao imaginário do humano negro.

Todo o arsenal discursivo que busca endemoninhar práticas religiosas de origem africana perfaz o agressivo caminho do etnocentrismo, melhor traduzido entre nós como racismo, que é o grande responsável por leituras insanas e inconcebíveis para um povo mais negro que mestiço, em pleno século XXI; ou seja, baianos negando o legado cultural dos seus ancestrais.

Não se deve permitir que faixas expressem que “Deus condena o candomblé”; que deus de onisciência se permitiria a isso? Nem que o conhecido acarajé deve ser alcunhado bolinho de Jesus, desintegrando possíveis sincretismos ou simbioses de ordem cultural e religiosa.

É um tempo de profunda vigilância, onde mais ignorância do que intolerância tem levado o nosso povo a aceitar ensinamentos díspares e infundados contra o real sentido da existência do candomblé que, em última instância, é o mesmo que qualquer outra religião séria em seu seio sócio-cultural.

Nem deus nem diabo tem falado nessas lutas; povo-de-santo respeite-se entre si: cada um que se veja no outro em vestes brancas, contas, seriedade e, principalmente, fé.

FONTE: JEITO BAIANO


Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Tel: 21.22733974 / 92905933

Parece que a barreira que impede a convivência tolerável entre evangélicos e adeptos das religiões de matriz africana na Bahia, e em muitos outros lugares do Brasil, tornou-se intransponível. Lamentável saber que nós, religiosos ou não, precisamos ocupar espaços sabotando a presença legítima do outro; precisamos construir discursos e ações que fomentem a idéia de que um tem a verdade e o outro deve ser banido por carregar consigo a mentira e a ilegitimidade no universo das religiões.

Esta ambiência intolerante é que tem conduzido o encontro social entre os evangélicos pentecostais e os religiosos de matriz africana no nosso estado; é inadmissível o tipo de proselitismo cristão que promove ataques aos praticantes do candomblé, desenhando o culto aos orixás como uma obra erguida a serviço de Satanás. Satanás este, fruto cultural judaico-cristão, oriundo de mentalidades persas, que foi levado para a África (e chegou ao Brasil) por portugueses católicos sendo incrustado ao imaginário do humano negro.

Todo o arsenal discursivo que busca endemoninhar práticas religiosas de origem africana perfaz o agressivo caminho do etnocentrismo, melhor traduzido entre nós como racismo, que é o grande responsável por leituras insanas e inconcebíveis para um povo mais negro que mestiço, em pleno século XXI; ou seja, baianos negando o legado cultural dos seus ancestrais.

Não se deve permitir que faixas expressem que “Deus condena o candomblé”; que deus de onisciência se permitiria a isso? Nem que o conhecido acarajé deve ser alcunhado bolinho de Jesus, desintegrando possíveis sincretismos ou simbioses de ordem cultural e religiosa.

É um tempo de profunda vigilância, onde mais ignorância do que intolerância tem levado o nosso povo a aceitar ensinamentos díspares e infundados contra o real sentido da existência do candomblé que, em última instância, é o mesmo de qualquer outra religião séria em seu seio sócio-cultural.

Nem deus nem diabo tem falado nessas lutas; povo-de-santo respeite-se entre si: cada um que se veja no outro em vestes brancas, contas, seriedade e, principalmente, fé.

 

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